Professores do IFPR – Campus Umuarama desenvolvem projeto intitulado ‘AFRO-FOTOGRAFIA’ – Analogia a obras de arte famosas como grito de resistência

Os professores Ivã Vinagre (Construção Civil e Design) e Leila Pontes (Língua Portuguesa) do Instituto Federal do Paraná (campus Umuarama) desenvolveram o projeto “Afro-Fotografia” com a participação dos alunos dos primeiros anos de Química e de Informática do Ensino Médio. O projeto, por meio de releituras de obras clássicas renascentistas e barrocas, teve por objetivo valorizar a cultura, a luta, a resistência da mulher e do homem negros, colocando o negro como protagonista, como figura principal em movimentos artísticos nos quais foi totalmente esquecido, apagado. O trabalho, portanto, é um “fazer justiça”. É um ato no qual os alunos foram orientados, incentivados a levantar sua arte, sua criatividade, seu humor, sua ironia, enfim, sua crítica a esse apagamento, para lembrar à sociedade que o lugar do negro é todos os lugares… todos os lugares onde ele quiser, onde ele sonhar, onde ele almejar estar.
O projeto, que finalizou com uma exposição de arte em homenagem ao mês da Consciência Negra, desenvolveu-se da seguinte maneira: os alunos fizeram estudos sobre a biografia dos artistas das obras, como a de Caravaggio, a de Michelangelo, por exemplo; sobre o momento histórico em que estão situadas e sobre as próprias obras em si; em seguida, pensaram em suas releituras, trazendo para discussão temas históricos, atuais e contundentes como: religião africana (sincretismo religioso); índices de violência contra o negro; acesso dos negros ao ensino superior; empoderamento da mulher negra; estatísticas e causas referentes à violência contra a mulher negra; cotas raciais; acesso do adolescente negro à educação e à tecnologia, dentre vários outros assuntos.
Segundo a professora Leila Pontes, o trabalho possibilitou a reflexão sobre a origem e consequências do racismo. Ela afirmou que “O projeto serviu para que os alunos tivessem uma melhor visão de como, em nossa sociedade, devido ao racismo, inúmeras situações são mais difíceis, mais complicadas para o homem e para a mulher negra. Serviu, sobretudo, para que os alunos valorizassem a força do homem e da mulher negra, porque, mesmo diante dessa opressão racista cruel, desumana, que não acabou ainda, estão aí lutando e resistindo. São verdadeiros heróis da própria existência”. Para o docente Ivã Vinagre, é necessário entender como o racismo funciona para melhor lutarmos contra ele. O professor ainda acrescentou: “Não penso em uma educação apenas conteudista, mas em uma educação que humaniza, que nos sensibilize em relação ao lugar do outro, uma educação que nos mostre que somos iguais, dignos dos mesmos direitos. O racismo me perturba muito! Tomei como função também lutar contra essa doença de raízes históricas”. O projeto Afro-fotografia está aí, homenageando nossos irmãos negros, por sua luta, por sua garra, por sua força.
As criações dos alunos, as releituras das obras de arte promovidas pelo projeto “Afro-fotografia”, estão aqui disponíveis para que todos apreciem.